Contraste entre as Leis:

 

      

Segundo o estudo anterior (Distinção de Leis), é possível que alguém tenha ficado perplexo, pois há textos na Bíblia que positivamente declaram ser a Lei de Deus eterna, e que não muda, e que todos devem obedecê-la. Por outro lado, existem outras passagens que parecem significar que "a lei foi dada por um determinado tempo apenas, e que se havia de mudar, e não nos encontramos agora na obrigação de obedecê-la".

"Estas declarações parecem causar confusão no espírito de certas pessoas; mas a Palavra de Deus é Verdadeira, e nela não há contradição. O que nos dá essa impressão, deve ser apenas falta de boa compreensão de nossa parte”.

Podemos ser sinceros em nossa opinião, e todavia enganar-nos por falta de perfeita compreensão do assunto. A Bíblia é a Palavra Viva, é a Palavra do Deus Vivo... Trata da realidade eterna. Encontra-se nela, alturas e profundidades além da compreensão da mente finita do homem. Mas esse mesmo fato não é senão outra evidência de que ela é de Deus.

Se nos deparamos com aparentes contradições, devemos estudar cuidadosamente o assunto, e com humildade, buscar o auxílio do Senhor para compreendê-la, e o Espírito Santo nos esclarecerá a mente". Dentre todas as leis mencionadas na Bíblia, duas têm destaque preeminente: A lei Cerimonial e a Lei Moral, fatos que muitos cristãos não aceitam ou não compreendem, mas que é claro em toda a Bíblia.

"A Lei Moral, os dez mandamentos, chamamos Lei de Deus. Esta Lei vem da eternidade. Os princípios desta Lei são base do governo de Deus. São imutáveis como o Seu Legislador. A Lei é por natureza indestrutível, nem um mandamento pode ser tirado do Decálogo. Permanece todo ele irrevogável e assim permanecerá para sempre... Lucas 16:17."

Entretanto, o mesmo não se pode dá com a lei Cerimonial, freqüentemente chamada de lei de Moisés, que veio a existir depois da queda do homem. Esta lei consiste em manjares e bebidas, várias abluções, justificações da carne e sacrifícios, destinando a chamar a atenção para a primeira vinda de Jesus; e com Sua vinda, todas estas coisas foram encerradas. Aí encontram-se o tipo e o antítipo; a sombra encontrou o corpo [Colossenses 2:16 e 17]. Quando Cristo, o Cordeiro de Deus, morreu na cruz, o véu do templo se rasgou em dois de alto a baixo (Mateus 27:51). Os serviços do templo apartir daquele momento deixaram de ter lugar. O sistema sacrificial cessou, e a lei que a ele pertencia deixou de existir. Foi cravada e riscada na cruz (Colossenses 2:13 a 15).

A Lei Cerimonial foi dada para satisfazer condições temporárias e locais da Antiga Aliança (Êxodo 24:1 a 11).

E uma vez que essas condições mudaram em virtude da crucificação, ao mesmo tempo, fez-se uma Nova Aliança (Hebreus 8:6 a 9).

Mediante o sacrifício do Cordeiro na cruz, todos os povos, nações e línguas poderão chegar a Deus (Isaías 56:1 a 8; Hebreus 8:11; João 14:6).

Somente através do sangue de Cristo conseguimos a remissão dos nossos pecados (João 14:12 a 15; I João 2:1 a 6; Hebreus 10:19 e 23).

       "A Lei de Deus da Antiga Aliança é a mesma Lei da Nova Aliança nos dias de hoje, permanece a mesma e permanecerá para sempre. Com a Nova Aliança os dez mandamentos, a Suprema Lei de Deus, é guardada e gravada na mente daqueles que O buscam, é selada no coração dos Seus discípulos (Isaías 8:16; Hebreus 8:10 a 13; Jeremias 31:31 a 35). Judeus e não judeus podem adquirir um coração purificado através da fé em Cristo, o Sumo Sacerdote (Hebreus 4:14 a 16).Todos são agora justificados na presença do Pai, através da fé em Jesus, e somente a parti dEle, somos aptos a guardar os Seus mandamentos (Romanos 2:13; Romanos 5:1 e 2; Romanos 16:25 a 27; João 15:9 e 10; Apocalipse 14:12).

       Firmando assim a Nova Aliança, superior, perfeita e eterna (Hebreus 9:11 a 15).

       Concluindo, com a Nova Aliança os estatutos cerimoniais da Antiga Aliança não tem mais razão para continuar, não há mais razão para existir. Os Dez Mandamentos, no entanto acompanhará os justos eternamente, através dos séculos."

 

Lourenço Silva Gonzalez, Assim Diz o Senhor, 3.ª ed., 1986.