A Astronomia e as Festas de Israel: Chave para a Compreensão de Daniel

Ou: A Cronologia Profética das Escrituras: Firme Fundamento do Povo do Advento.

Algumas declarações da pena de Ellen G. White possuem mais profundidade do que geralmente se lhes atribui. Isso é o que ocorre quanto ao relato de sua primeira visão, transcrito logo abaixo, especialmente no que concerne aos trechos destacados:

“Enquanto eu estava orando junto ao altar da família, o Espírito Santo me sobreveio, e pareceu-me estar subindo mais e mais alto da escura Terra. Voltei-me para ver o povo do advento no mundo, mas não o pude achar, quando uma voz me disse: ‘Olha novamente, e olha um pouco mais para cima.’ Com isto olhei mais para o alto e vi um caminho reto e estreito, levantado em lugar elevado do mundo. O povo do advento estava nesse caminho, a viajar para a cidade que se achava na sua extremidade mais afastada.

"Tinham uma luz brilhante colocada por trás deles no começo do caminho, a qual um anjo me disse ser o ‘clamor da meia-noite’. Essa luz brilhava em toda extensão do caminho, e proporcionava claridade para seus pés, para que assim não tropeçassem. Se conservavam o olhar fixo em Jesus, que Se achava precisamente diante deles, guiando-os para a cidade, estavam seguros. Mas logo alguns ficaram cansados, e disseram que a cidade estava muito longe e esperavam nela ter entrado antes. Então Jesus os animava, levantando Seu glorioso braço direito, e de Seu braço saía uma luz que incidia sobre o povo do advento, e eles clamavam: ‘Aleluia!’

"Outros temerariamente negavam a existência da luz atrás deles e diziam que não fora Deus quem os guiara tão longe. A luz atrás deles desaparecia, deixando-lhes os pés em densas trevas, de modo que tropeçavam e, perdendo de vista o sinal e a Jesus, caíam do caminho para baixo, no mundo tenebroso e ímpio.Primeiros Escritos, p. 15.

Muito já se comentou sobre o texto dessa primeira visão, mas alguns de seus aspectos mais importantes têm sido negligenciados. No começo do caminho que leva para a Cidade Santa, Ellen White disse ter visto uma luz brilhante, denominada pelo anjo de o “clamor da meia-noite”; essa luz brilhava por toda a extensão do caminho e proporcionava claridade para que os servos de Deus não tropeçassem. Mas, qual seria seu real significado? Por que o anjo a teria chamado de o “clamor da meia-noite”? Qual a sua importância para o povo do advento hoje?

Entendendo a Parábola das 10 Virgens.

É triste observar como Satanás é bem sucedido em obscurecer verdades tão essenciais à própria existência e missão do povo de Deus. Um caso bem característico dessa realidade pode ser percebido na maneira como a parábola das 10 virgens tem sido pregada. Em lugar de aplicações genéricas e vagas, que é o que tem sido apresentado do alto dos púlpitos, os adventistas têm uma exposição muito mais rica e cheia de significado para oferecer. Tal exposição é belamente desenvolvida por Ellen G. White:

A parábola das dez virgens de Mateus 25, ilustra também a experiência do povo adventista...

“‘Então o reino dos Céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo. E cinco delas eram prudentes, e cinco loucas. As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo. Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as lâmpadas. E, tardando o esposo, tosquenejaram todas, e adormeceram, mas à meia-noite ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro.’

A vinda de Cristo, como era anunciada pela mensagem do primeiro anjo, entendia-se ser representada pela vinda do esposo. A reforma espiritual que se generalizou sob a proclamação de Sua segunda vinda, correspondeu à saída das virgens...

“‘E, tardando o esposo, tosquenejaram todas, e adormeceram.’ Pela tardança do esposo é representada a passagem do tempo em que o Senhor era esperado, o desapontamento, e a aparente demora. Neste tempo de incerteza, o interesse dos que eram superficiais e não de todo sinceros começou logo a vacilar, arrefecendo seus esforços; mas aqueles cuja fé se baseava no conhecimento pessoal da Escritura Sagrada, tinham sob os pés uma rocha que as ondas do desapontamento não poderiam derruir.” O Grande Conflito, pp. 393 e 394.

Aí está o real entendimento adventista sobre a parábola das 10 virgens. Como ficou tão claramente demonstrado, a saída das virgens representa o Movimento do Segundo Advento. A obra de Miller, anunciando a volta de Cristo para 1.843/1.844, marcou o início da mensagem do primeiro anjo: “Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois é chegada a hora do Seu juízo” (Apocalipse 14:7).

Como resultado, houve um despertamento geral e muitos passaram a aguardar, esperançosos, a vinda do Esposo. Mas, a parábola falava de um tempo de tardança. Miller havia ensinado que o regresso do Senhor deveria ocorrer em algum ponto entre a primavera de 1.843 e a primavera de 1.844. Quando a primavera de 1.844 passou, sem a concretização da promessa do segundo advento, o fervor do Movimento arrefeceu.

Nesse mesmo tempo, as igrejas, que até então estavam temerosas de tomar qualquer atitude, diante da expectativa do Juízo Vindouro, começaram a expulsar de sua comunhão os adeptos da mensagem millerita. Isso foi uma demonstração de rejeição geral, por parte das diversas denominações, à mensagem do primeiro anjo. Diz Ellen G. White:

A mensagem do segundo anjo de Apocalipse, capítulo 14, foi primeiramente pregada no verão de 1844, e teve naquele tempo uma aplicação mais direta às igrejas dos Estados Unidos, onde a advertência do juízo tinha sido mais amplamente proclamada e em geral rejeitada, e onde a decadência das igrejas mais rápida havia sido.O Grande Conflito, p. 380.

Sim, no verão de 1.844, começou a proclamação da mensagem do segundo anjo, denunciando a queda espiritual das igrejas protestantes, que haviam rejeitado abertamente a mensagem da hora do Juízo.

O Clamor da Meia-Noite.

Miller havia cometido um pequeno erro em seus cálculos, tomando a primavera de 457 A.C., em vez do outono, para o início da contagem profética. Isso levava o período até a primavera de 1.844. É necessário dizer, todavia, que tal erro era perfeitamente justificável, pois a profecia de Daniel 9:25 falava em “saída da ordem para restaurar e edificar Jerusalém” e a Bíblia dizia que Esdras partira de Babilônia em direção à terra santa na primavera do ano.

No verão de 1.844, nova luz brilhou a partir do estudo das Escrituras. Descobriu-se o engano cometido e realizou-se uma retificação no esquema profético de Miller. A senhora White explica como isso aconteceu:

“‘E, tardando o esposo, tosquenejaram todas, e adormeceram. Mas à meia-noite ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro. Então todas aquelas virgens se levantaram, e prepararam as suas lâmpadas.’ Mat. 25:5-7. No verão de 1844, período de tempo intermediário entre a época em que, a princípio, se supusera devessem terminar os 2.300 dias, e o outono do mesmo ano, até onde, segundo mais tarde se descobriu, deveriam eles chegar, a mensagem foi proclamada nos próprios termos das Escrituras: ‘Aí vem o Esposo!’

O que determinou este movimento foi descobrir-se que o decreto de Artaxerxes para a restauração de Jerusalém, o qual estabelecia o ponto de partida para o período dos 2.300 dias, entrou em vigor no outono do ano 457 antes de Cristo, e não no começo do ano, conforme anteriormente se havia crido. Contando o outono de 457, os 2.300 anos terminam no outono de 1844.

Argumentos aduzidos dos símbolos do Antigo Testamento apontavam também para o outono como o tempo em que deveria ocorrer o acontecimento representado pela ‘purificação do santuário’. Isto se tornou muito claro ao dar-se atenção à maneira por que os símbolos relativos ao primeiro advento de Cristo se haviam cumprido.

“A morte do cordeiro pascal era sombra da morte de Cristo. Diz Paulo: ‘Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado por nós.’ I Cor. 5:7. O molho das primícias, que por ocasião da Páscoa era movido perante o Senhor, simbolizava a ressurreição de Cristo. Falando da ressurreição do Senhor e de todo o Seu povo, diz Paulo: ‘Cristo, as primícias, depois os que são de Cristo, na Sua vinda.’ I Cor. 15:23. Semelhante ao molho que era agitado, constituído pelos primeiros grãos amadurecidos que se colhiam antes da ceifa, Cristo é as primícias da ceifa imortal de resgatados que, por ocasião da ressurreição futura, serão recolhidos ao celeiro de Deus.

Aqueles símbolos se cumpriram, não somente quanto ao acontecimento mas também quanto ao tempo. No dia catorze do primeiro mês judaico, no mesmo dia e mês em que, durante quinze longos séculos, o cordeiro pascal havia sido morto, Cristo, tendo comido a Páscoa com os discípulos, instituiu a solenidade que deveria comemorar Sua própria morte como o ‘Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo’. Naquela mesma noite Ele foi tomado por mãos ímpias, para ser crucificado e morto. E, como o antítipo dos molhos que eram agitados, nosso Senhor ressurgiu dentre os mortos ao terceiro dia, como – ‘as primícias dos que dormem’ (I Cor. 15:20), exemplo de todos os ressuscitados justos, cujo ‘corpo abatido’ será transformado, ‘para ser conforme o Seu corpo glorioso’. Filip. 3:21.

De igual maneira, os tipos que se referem ao segundo advento devem cumprir-se ao tempo designado no culto simbólico. No cerimonial mosaico, a purificação do santuário, ou o grande dia da expiação, ocorria no décimo dia do sétimo mês judaico (Lev. 16:29-34), dia em que o sumo sacerdote, tendo feito expiação por todo o Israel, e assim removido seus pecados do santuário, saía e abençoava o povo. Destarte, acreditava-se que Cristo, nosso Sumo Sacerdote, apareceria para purificar a Terra pela destruição do pecado e pecadores, e glorificar com a imortalidade a Seu povo expectante. O décimo dia do sétimo mês, o grande dia da expiação, tempo da purificação do santuário, que no ano 1844 caía no dia vinte e dois de outubro, foi considerado como o tempo da vinda do Senhor. Isto estava de acordo com as provas já apresentadas, de que os 2.300 dias terminariam no outono, e a conclusão parecia irresistível.

“Na parábola de Mateus 25, o tempo de espera e sono é seguido pela vinda do Esposo. Isto concordava com os argumentos que acabam de ser apresentados, tanto da profecia como dos símbolos. Produziram profunda convicção quanto à sua veracidade; e o ‘clamor da meia-noite’ foi proclamado por milhares de crentes.” O Grande conflito, pp. 398-400.

Como ficou demonstrado, o “Clamor da Meia-Noite” foi um movimento, dentro do próprio Movimento do Segundo Advento, que fez uma correção nos cálculos proféticos. A base do Movimento do “Clamor da Meia-Noite” foi o estudo minucioso da cronologia profética das Escrituras. Os integrantes desse despertamento especial deram particular atenção à tipologia das festas judaicas. Observando como os acontecimentos representados pelas festas da primavera haviam obtido cumprimento no ano 31, puderam discernir melhor o ponto exato em que o período profético de Daniel 8:14 deveria terminar. Motivados por tais descobertas, deram o anúncio: “Eis o Noivo, saí ao Seu encontro.”.

Sobre esse movimento, afirma Ellen G. White:

De todos os grandes movimentos religiosos desde os dias dos apóstolos, nenhum foi mais livre de imperfeições humanas e dos enganos de Satanás do que o do outono de 1844. Mesmo hoje, depois de transcorridos muitos anos, todos os que participaram do movimento e que permanecem firmes na plataforma da verdade, ainda sentem a santa influência daquela obra abençoada, e dão testemunho de que ela foi de Deus.” O Grande Conflito, p. 402.

É triste constatar que os adventistas atuais tenham perdido de vista o fulgor da mensagem do “Clamor da Meia-Noite”. Para muitos pastores e leigos, a importância dessa mensagem é apenas de caráter histórico, como uma etapa no desenvolvimento do povo adventista. Mas, em visão celestial, Ellen G. White viu que essa mensagem, puramente baseada em dados cronológicos, deve servir de luz para o povo do advento por toda a extensão do caminho; e é por não prestar a devida atenção a essa mensagem que tanta confusão teológica se infiltrou no meio da denominação.

Exemplos de Erros Teológicos Atuais.

No artigo “O Princípio do Dia Profético: Chave das Profecias de Tempo”, recentemente publicado no site “Adventistas.com” e originalmente publicado na Revista Adventista (março de 1.999), foi dito que os 490 anos, referentes às 70 semanas, totalizam 176.400 dias. Mas, isso não somente contraria as informações escriturísticas, como também transtorna o cálculo de toda a profecia, tornando as datas defendidas pela Igreja Adventista insustentáveis. Ocorre que esses 176.400 dias foram calculados com base num ano de 360 dias, ao passo que os períodos proféticos devem ser calculados pelo ano solar, de 365,242190 dias.  Os referidos 176.400 dias são uma quantidade insuficiente para preencher o espaço de tempo entre os anos 457 A.C. e 34 A.D., que é de 178.968,6731 dias.

Outro equívoco: na lição da Escola Sabatina deste trimestre, aparece a seguinte declaração: “... a evidência bíblica e histórica indica que os judeus usavam um calendário de outono a outono, e isto põe o sétimo ano em 457 A.C. ... Esta data está firmada solidamente em evidência confiável.” (p. 62) . Nada mais enganoso. Do ponto de vista histórico apenas, não há provas cabais de que o sétimo ano de Artaxerxes tenha sido 457 A.C..

Atualmente, equívocos como esses não têm nenhuma razão de ser, pois avançados recursos de pesquisa estão à disposição do estudante sincero para a verificação da verdade. Visando combater tais erros e dar um firme fundamento para o povo de Deus, foi lançado, recentemente, o site “Concerto Eterno”. Nele, o leitor encontrará uma fantástica série de estudos sobre Daniel 8 e 9, denominada “A Plenitude dos Tempos”. Utilizando os mais modernos recursos de Astronomia, bem como fontes fidedignas da História Universal, essa série de estudos se propõe a comprovar cientificamente as datas indicadas no esquema cronológico adventista. Dentre as inúmeras questões abordadas no site, estão:

·         O modo correto de comprovar o ano 457 A.C..

·         A data exata da morte de Jesus;

·         O início exato das 2.300 tardes e manhãs;

·         O término exato das 2.300 tardes e manhãs;

·         A maneira correta de resolver o problema da palavra “nitsdaq” de Daniel 8:14.

O grande problema que a doutrina adventista enfrenta é que seus defensores têm sido incompetentes em usar os meios providos por Deus para a sustentação da verdade. Em vez de serem audazes naquilo que as evidências permitem, são covardes. Em vez de reconhecerem as deficiências em certos campos, costumam afirmar mais do que deveriam. E, vendo-se acuados e sem saber como resolver todas as questões, quer seja por incompetência, quer seja pela carência de informações documentais, deixam de lidar com o assunto de forma racional e apelam para a imaginação, para a subjetividade e para o emocional.

O compromisso do site “Concerto Eterno”, ao qual o adventistas.com apóia através desta publicação, é o de abordar toda a profecia de Daniel 9 de maneira racional, empregando os melhores meios disponíveis para a confirmação da fé adventista, essa fé verdadeira “que uma vez por todas foi entregue aos santos”. Por isso, recomendamos: Faça hoje mesmo uma visita. O acesso é muito simples: Basta clicar neste link. Você não vai se arrepender!

O Desapontamento do Outono e a Vinda do Esposo.

Embora o objetivo deste estudo seja o de despertar a atenção para a importância vital do estudo da cronologia bíblica, a presente exposição não estaria completa se o evento do desapontamento de 1.844 e o início do Juízo Investigativo não fossem abordados. Ellen G. White também trata desse assunto:

A proclamação: ‘Aí vem o Esposo!’ foi feita no verão de 1844. Desenvolveram-se então as duas classes representadas pelas virgens prudentes e as loucas... Na parábola, quando o Esposo veio, ‘as que estavam preparadas entraram com Ele para as bodas’. A vinda do Esposo, aqui referida, ocorre antes das bodas. O casamento representa a recepção do reino por parte de Cristo. A santa cidade, a Nova Jerusalém, que é a capital e representa o reino, é chamada ‘a esposa, a mulher do Cordeiro’. Disse o anjo a João: ‘Vem, mostrar-te-ei a esposa, a mulher do Cordeiro.’ ‘E levou-me em espírito’, diz o profeta, ‘e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do Céu.’ Apoc. 21:9 e 10.

"Claramente, pois, a esposa representa a santa cidade, e as virgens que saem ao encontro do Esposo são símbolo da igreja. No Apocalipse é dito que o povo de Deus são os convidados à ceia das bodas (Apoc. 19:9). Se são convidados, não podem ser também representados pela esposa. Cristo, conforme foi declarado pelo profeta Daniel, receberá do Ancião de Dias, no Céu, o domínio, e a honra, e o reino"; receberá a Nova Jerusalém, a capital de Seu reino, ‘adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido’. Dan. 7:14; Apoc. 21:2. Tendo recebido o reino, Ele virá em glória, como Rei dos reis e Senhor dos senhores, para a redenção de Seu povo, que deve assentar-se ‘com Abraão, Isaque e Jacó’, à Sua mesa, em Seu reino (Mat. 8:11; Luc. 22:30), a fim de participar da ceia das bodas do Cordeiro.

“A proclamação: ‘Aí vem o Esposo!’, feita no verão de 1844, levou milhares a esperar o imediato advento do Senhor. No tempo indicado o Esposo veio, não para a Terra, como o povo esperava, mas ao Ancião de Dias, no Céu, às bodas, à recepção de Seu reino. ‘As que estavam preparadas entraram com Ele para as bodas, e fechou-se a porta.’ Elas não deveriam estar presentes, em pessoa, nas bodas; pois que estas ocorrem no Céu, ao passo que elas estão na Terra. Os seguidores de Cristo devem esperar ‘o seu Senhor, quando houver de voltar das bodas’. Luc. 12:36. Mas devem compreender o trabalho de Cristo e segui-Lo, pela fé, ao ir Ele perante Deus. É neste sentido que se diz irem eles às bodas.

“Na parábola, as que tinham óleo em seus vasos com as lâmpadas, foram as que entraram para as bodas. Os que, com conhecimento da verdade pelas Escrituras, tinham também o Espírito e graça de Deus, e que, na noite de sua amarga prova, esperavam pacientemente, examinando a Bíblia a fim de obterem mais clara luz - esses viram a verdade relativa ao santuário celestial e a mudança no ministério do Salvador, e pela fé O acompanharam em Sua obra naquele santuário. Todos os que, mediante o testemunho das Escrituras, aceitam as mesmas verdades, seguindo a Cristo pela fé, ao entrar Ele à presença de Deus para efetuar a última obra de mediação, e para, no final dela, receber o Seu reino - todos esses são representados como estando a ir às bodas.

A mesma figura do casamento é apresentada na parábola do capítulo 22 de Mateus, onde claramente se representa o juízo de investigação como ocorrendo antes das bodas. Previamente às bodas vem o rei para ver os convidados (Mat. 22:11), a fim de verificar se todos têm trajes nupciais, vestes imaculadas do caráter lavadas e embranquecidas no sangue do Cordeiro (Apoc. 7:14). O que é encontrado em falta, é lançado fora, mas todos os que, sendo examinados, se verificar terem vestes nupciais, são aceitos por Deus e considerados dignos de participar de Seu reino e assentar-se em Seu trono. Esta obra de exame do caráter, para determinar quem está preparado para o reino de Deus, é a do juízo de investigação, obra final do santuário do Céu.

“Quando a obra de investigação se encerrar, examinados e decididos os casos dos que em todos os séculos professaram ser seguidores de Cristo, então, e somente então, se encerrará o tempo da graça, fechando-se a porta da misericórdia. Assim, esta breve sentença – ‘As que estavam preparadas entraram com Ele para as bodas, e fechou-se a porta’ - nos conduz através do ministério final do Salvador, ao tempo em que se completará a grande obra para salvação do homem...

“O transcurso do tempo em 1844 foi seguido de um período de grande prova para os que ainda mantinham a fé do advento. Seu único alívio, no que dizia respeito a determinar sua verdadeira posição, era a luz que lhes dirigia o espírito ao santuário celestial. Alguns renunciaram à fé na contagem anterior dos períodos proféticos, e atribuíram a forças humanas ou satânicas a poderosa influência do Espírito Santo que acompanhara o movimento adventista.

"Outra classe sustentava firmemente que o Senhor os guiara na experiência por que passaram; e, como esperassem, vigiassem e orassem, a fim de conhecer a vontade de Deus, viram que seu grande Sumo Sacerdote começara a desempenhar outra parte do ministério, e, seguindo-O pela fé, foram levados a ver também a obra final da igreja. Obtiveram mais clara compreensão das mensagens do primeiro e segundo anjos, e ficaram habilitados a receber e dar ao mundo a solene advertência do terceiro anjo de Apocalipse 14.O Grande Conflito, pp. 426-432.

Diante de uma explicação tão clara e harmoniosa, comentários adicionais são dispensáveis. Faz-se necessário, no entanto, resumir, em poucas linhas, o que foi apresentado:

·         Na parábola das 10 virgens, o povo de Deus não é representado pela noiva e, sim, pelos convidados.

·         A noiva do Cordeiro é a Cidade Santa, a capital do novo reino.

·         A vinda do Noivo ocorreu, de fato, em 1.844; mas Ele não veio à terra e, sim, ao Lugar Santíssimo do Santuário Celestial.

·         Os convidados começaram a entrar para as bodas em 1.844, não literalmente, mas pela fé.

·         Antes que Jesus receba o reino, Ele precisa avaliar se os convidados são dignos para fazer parte da nova terra. Essa avaliação é a obra do Juízo Investigativo.

·         Pela compreensão dessas verdades, os adventistas ficaram habilitados a compreender outros assuntos, como a vigência da Lei de Deus e do Santo Sábado. Iniciou-se, então, a proclamação da mensagem do terceiro anjo.

Conclusão.

Como o leitor pôde observar, a primeira visão de Ellen G. White envolvia muito mais do que sua leitura superficial parecia indicar. O povo adventista recebeu a missão especial de proclamar a mensagem dos 3 anjos; mas os pilares de sua fé e a luz que ilumina seu caminho estão no “Clamor da Meia-Noite”. Portanto, é impossível compreender a mensagem adventista sem um estudo cuidadoso dos períodos proféticos de Daniel e da tipologia das festas judaicas.

Se você é um verdadeiro adventista e está desejoso de firmar a sua fé da melhor maneira possível, não deixe de acessar o endereço: http://www.concertoeterno.com (Clique!). Nele, você encontrará respostas para muitas de suas dúvidas. Que Deus possa abençoá-lo no estudo de Sua Palavra e que a graça de Jesus possa ser cada vez mais abundante em seu coração, fortalecendo sua fé na mensagem do advento. -- Henderson H. L. Velten, Editor do site "Concerto Eterno".